terça-feira, março 28, 2006

Sussuarana: Mutuários exigem da Caixa recuperação do conjunto

Moradores do Conjunto Habitacional de Sussuarana fizeram um protesto, ontem, em frente à agência da Caixa Econômica Federal das Mercês. Eles acusam a instituição de ter financiado a construção do conjunto com materiais inadequados e se mostrar indiferente quanto à situação, que exige ainda reformas em 29 dos 46 edifícios do local. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Conjunto, Antônio Carlos Ferreira, o material utilizado na construção dos prédios foi resto de material siderúrgico. “Eles substituíram a brita por uma escória de aço, resto de construções. Com o tempo, a experiência começou a causar problemas e as paredes dos edifícios começaram a rachar. O pior é que a construtora se diz falida e a Caixa não cumpre com o seu papel de seguradora “. Esse foi o segundo protesto organizado pelos moradores do conjunto. Em novembro de 2003, uma manifestação reuniu, no mesmo local, outros mutuários da Caixa. O protesto resultou em uma ação no Ministério Público. “Entramos também com uma ação civil pública na Justiça Federal”, completa Ferreira. Ainda de acordo com o presidente da Associação, a Justiça Federal responsabilizou a Concic Engenharia, construtora do conjunto, de irresponsabilidade, incompetência e má-fé contra seus clientes. “Mas, como a empresa é falida, a Caixa deve arcar com os nossos prejuízos. É isso que esperamos”. Construído em 1996, o conjunto tem, aproximadamente, três mil moradores, distribuídos em 46 edifícios, dos quais 17 blocos foram demolidos. Dos 29 restantes, dois, os blocos 6 e 8, não estão em condição de moradia. Há um ano e oito meses, os moradores receberam ordem de deixar o local. “Desde então, pago aluguel e vivo num sufoco. A Caixa não ajuda em nada e até hoje estamos sem resposta quanto à reforma do nosso imóvel”, diz o fiscal de transportes Osvaldo de Souza Santos, 41 anos, proprietário de um dos apartamentos. Os moradores reclamaram também da falta de segurança dos imóveis interditados. “O prédio está completamente abandonado. Quando saímos de lá contávamos, pelo menos, com a segurança do local, mas desde o Carnaval a segurança foi retirada e os prédios foram deixados de lado. Receio que sejam invadidos”, conta o aposentado Antônio Souza Cruz, 59 anos, que já pensa, junto com outros moradores, em arcar com a segurança no local. De acordo com o superintendente da Caixa, José Raimundo Soares, a responsabilidade quanto aos imóveis é da Caixa Seguros. Segundo ele, o órgão depende de resposta de Brasília para se pronunciar sobre o assunto. Até o final da manhã de ontem, os mutuários continuavam na agência. “Procurei a Caixa diversas vezes e eles nunca souberam me informar nada. Preciso de uma resposta. Naqueles prédios estão as nossas vidas, nossos investimentos”, indignou-se Ana Pereira da Cunha, 38 anos.

Fonte: Tribuna da Bahia On Line