Salvador, cidade refém dos ônibus
A greve de ônibus em Salvador, que começou na terça e se estendeu até a sexta, atingiu toda a cidade. Durante a semana, as ruas da capital baiana ficaram menos movimentados, as aulas em alguns colégios e universidades foram canceladas, o comércio registrou uma queda de até 70% nas vendas e os shoppings e lojas de bairro fecharam as portas mais cedo.
A situação vivida nos últimos dias mostra o quanto a terceira maior cidade do Brasil é refém do sistema público de transporte, que conduz 1 milhão e 300 mil pessoas por dia. Como não há outros meios de locomoção de massa na cidade, muita gente foi obrigada a permanecer em casa. Alguns arriscaram carona nos pontos de ônibus. Outros chegaram até o trabalho porque as empresas disponibilizaram veículos para transportar os funcionários e garantir assim o funcionamento.
“Salvador é dependente de ônibus porque o perfil da população, que tem uma renda baixa, usa os ônibus para ir ao trabalho, à escola. Uma paralisação de ônibus, por exemplo, não alteraria tanto a rotina de Miami. Lá, a maioria das pessoas usa carro. Aqui, quem mais sofre são os menos favorecidos economicamente”, destaca o engenheiro de tráfego Armando Branco.
A falta de alternativas que viabilizem o transporte dos baianos recrudesceu mais ainda o problema. Salvador não está preparada para greves no transporte, que atingem países como a França e cidades como a capital paulista, porque não possui outras opções eficazes para transportar a população, segundo o engenheiro de tráfego Elmo Sozenberg.
O trem da cidade não é suficiente para aliviar o problema causado devido à mobilização dos rodoviários, que impediram a circulação dos quase 2, 5 mil ônibus de Salvador. A linha ferroviária roda apenas no subúrbio, da Estação da Calçada até Paripe, e tem baixa demanda [cerca de 10 mil usam o transporte diariamente]. Além disso, o trem não é integrado ao resto do sistema da cidade.
Para completar a situação de caos, o metrô ainda não foi inaugurado. Mas, a linha do metrô, com extensão de cerca de seis quilômetros, que vai ligar a Avenida Bonocô à Estação da Lapa, também não diminuiria os prejuízos, conforme afirma Sozenberg: “Precisaríamos de, no mínimo, 150 quilômetros de via do metrô para diminuir os prejuízos causados pela greve de ônibus à população. Cinco quilômetros não tem serventia. A implantação do metrô só tem valor político”, destaca o especialista.
A saída mais viável, acredita o especialista, seria criar um sistema de transporte multimodal para diminuir os transtornos aos usuários. “Isso não quer dizer que o projeto agüentaria a demanda em casos de greve, mas aliviaria o problema porque oferece outras alternativas”.
Metrô com vias mais extensas, sistema de ônibus expresso [transporte de massa rápidos e que passa pelos principais corredores de tráfego, como em Curitiba] e criação de ciclovias em áreas de avenidas de vale são algumas das opções que diminuíram a procura pelos ônibus. “Greve é um direito do trabalhador e já é sabido que, em Salvador, há paralisações dos rodoviários em maio.
A cidade deveria, nesse caso, estar mais preparada para não ser tão prejudicada”, salienta. A cidade, nesse caso, deveria possuir um sistema de planejamento para não ser tão atingida pela greve, de acordo com Armando Branco. “O tamanho de um município como o nosso necessita de uma diversidade de transporte. Muita gente passou a procurar mais o trem, topics e vans, o que comprova a necessidade da criação de modelos alternativos mais eficientes”.
Por Kleyer Seixas do A Tarde On Line

2 Comments:
Como presidente da associação dos bicicleteiros da Bahia - ASBB, sugiro unir-mos forças para que os orgãos públicos priorise a criaçao de ciclóvias ligando os corredores viários aos grandes centros comerciais, fazendo com que esta ação incentive a criaçao de bicicletários nos grandes mercados e shopping do Estado.
Abraços a todos.
Gilson Cunha
Transporte público, uma solução comum que favorece a maioria. Vejam o que estão fazendo para melhorar o nosso sistema de transporte público. www.onibusrecife.com.br
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